terça-feira, 22 de dezembro de 2020

ASTROLOGIA. SATURNO NA CASA IX (PARTE XVII)

HOJE ABORDAREMOS AS CARACTERÍSTICAS DOS NATIVOS COM SATURNO NATAL POSICIONADO NA CASA IX

Significado da Casa IX

Casa IX – 3ª Casa de Identidade

Na Casa I, a primeira casa de identidade, ao afirmarmo-nos, ao termos iniciativas, vamos ganhando alguma consciência de quem nós somos. Na Casa V, a segunda casa de identidade, ao levarmos ao mundo as nossas criações, tomamos consciência do ser especial que somos. Com a vivência da Casa IX, saímos da esfera do eu pequenino e percebemos que a nossa identidade afinal só pode ser dimensionada noutras esferas, ou seja, não somos apenas quando e porque agimos (Casa I), não somos tão pouco apenas quando e porque criamos, mas somos sobretudo quando conhecemos, quando conseguimos enxergar para além do nosso umbigo. Por isso, a Casa IX propõe a expansão da consciência para níveis mais elevados.

 

Casa IX – Casa social ou coletiva

Enquanto nas casas ditas pessoais (I a VI) a expansão consciencial do nativo é obtida através de si próprio, nas casas ditas sociais (VII a XII), a expansão consciencial é obtida através do outro. Na Casa VII, ampliamos a consciência de quem somos através dos processos de identificação e desidentificação com o outro. Na Casa VIII, ampliamos a consciência de quem somos através dos processos de morte e renascimento das nossas posturas instintivas que emergem com a vivência fusional e tensional com o outro. Na Casa IX a expansão consciencial também é realizada através do outro mas com base em outros mecanismos que descreveremos mais adiante.

 

Casa IX – Última casa do Outro

O Eixo Meio do Céu-Fundo do Céu divide o mapa em dois hemisférios: o Hemisfério Oriental (casas I, II, III, X, XI e XII) e o Hemisfério Ocidental (casas IV, V, VI, VII, VIII e IX).

No Hemisfério Oriental, também conhecido como “O Hemisfério do EU”, o nativo não se deixa influenciar pelos outros, nem pelo meio em que vive nem pelas circunstâncias da vida. Ele é o motor do seu próprio destino.

No Hemisfério Ocidental, também conhecido como O Hemisfério dos Outros”, o nativo age em função dos outros, do ambiente e das circunstâncias da vida. Ele deixa-se condicionar.

Nas Casas IV a VI do Hemisfério Ocidental, o nativo ganha expansão consciencial através de si próprio quando se expressa, cria e trabalha, mas no entanto ainda não consegue “ver” o outro, apesar do outro o condicionar de forma indireta (Casa IV - a família; Casa V - o aplauso do outro; Casa VI – o serviço feito ao outro). O nativo não “vê” o outro, no sentido de ainda não conseguir reconhecer o outro como identitariamente importante.

Nas Casas VII a IX do Hemisfério Ocidental, o nativo já consegue “ver” o outro e ganha expansão consciencial através dos seus relacionamentos, deixando-se condicionar de forma direta pelo outro.

Na Casa VII, consegue “ver” o outro porque começa a gostar do outro e tal fato obriga o nativo a reconhecer a importância de se relacionar com uma identidade distinta de si próprio. Na Casa VIII consegue “ver” o outro porque ao reconhecer a importância da identidade do outro na sua vida, não o quer perder e porque não o quer perder, controla-o e porque o controla, atrai dramas e porque atrai damas, sofre e ao sofrer, renasce.

Na Casa IX, o nativo já consegue ver o outro, mas já sem carência, sem posse, sem instintos. O outro já é considerado um ser com que priva socialmente, reconhecendo-lhe, conscientemente, uma identidade própria e livre que deve tratar com respeito, justiça e honestidade. Contudo, ainda não há um “nós” pois de um lado está o nativo e do outro lado está o outro. Estão juntos, mas ao mesmo tempo estão separados. A Casa IX representa a última casa do hemisfério ocidental ou Hemisfério do Outro. Nas casas seguintes, o outro já é percecionado de forma coletiva, já é um ser coletivo, já é integrado no coletivo. Na Casa X, o indivíduo pertence ao ser coletivo estruturado (navegamos no mesmo barco). Na Casa XI o indivíduo pertence ao ser coletivo fraternal e idealizado (somos todos irmãos). Na Casa XII, e finalmente, o indivíduo pertence ao ser coletivo individualizado (somos todos um).

 

Casa IX – Os Três Níveis Evolutivos

Cada nativo viverá a Casa IX e as demais casas do seu mapa, em função ou de acordo com o estado evolutivo que possui durante a sua vida. Se o seu nível de evolução, em determinada altura da sua vida for básico, experienciará o primeiro nível da Casa IX que corresponde à ampliação do conhecimento através das viagens físicas que lhe permitem conhecer e aprender intelectualmente as verdades exteriores sobre novos mundos, ideias, culturas e povos. Se o seu nível de evolução for médio, experienciará o segundo nível da Casa IX, que corresponde à ampliação do conhecimento através da adesão emocional a verdades interiores (valores e crenças). Se o nativo estiver num nível evolutivo avançado, experienciará o terceiro nível da Casa IX que corresponde à ampliação do conhecimento através da adesão iniciática às verdades universais.

 

Casa IX - Conhecimento, Ensino

O eixo Casa III – Casa IX é o eixo do conhecimento. Estas duas casas estão relacionadas, deste modo, com a obtenção do conhecimento. Só que o conhecimento referido tem uma tónica diferente em cada uma delas.

Na Casa III (da mente concreta), o nativo é um acumulador de informação e de factos. Recolhe e armazena-os para melhor compreender e se posicionar no mundo físico à sua volta. No entanto, apesar do seu apetite voraz por informação, não lhe dá um sentido, não a direciona. Deste modo, conhece um pouco de tudo, mas sempre ao de leve, pela rama, pela superfície. Ou seja, o conhecimento adquirido nesta casa é superficial e apenas focado para o quotidiano, para a rotina e para o ambiente próximo.

Na Casa IX, o nativo já “sente” a informação recolhida, já lhe dá um sentido e já a direciona. Por isso, a imagem que representa o Sagitário (seu regente natural) é traduzida por um centauro a apontar uma seta, indicando que deveremos ir mais além e não ficarmos circunscritos à esfera ambiental envolvente, próxima. A Casa IX, deste modo, já não tem a ver com o conhecimento superficial, mas sim com o conhecimento mais profundo. Em suma, na Casa III, recolhe-se a informação, mas é na Casa IX onde se tiram conclusões sobre a informação recolhida e onde se vai mais além do conhecimento superficial obtido. Por isso, esta casa está associada à educação superior, às universidades, mestrados e doutoramentos. É a casa do professor que expande os seus conhecimentos levando-os para os outros para que estes possam expandir a sua consciência.

Enquanto a Casa III é a casa do ambiente e do conhecimento imediato, rápido, prático, lógico e racional, a Casa IX é a da mente superior.

Casa IX – Religião, Filosofia

Na imagem do centauro que ilustra o signo de Sagitário a seta é apontada para cima, para o céu, indicando claramente que se deve procurar o conhecimento “que está acima”, se quisermos ir mais além, se quisermos ampliar a nossa consciência. O estádio mais elevado da aprendizagem corresponde à compreensão das leis invisíveis que regulam o mundo.

Na Casa III, o nativo apenas consegue conhecer as leis visíveis do mundo dado que esta casa está ligada ao cérebro esquerdo ou solar, ou seja à mente inferior, concreta, racional, lógica, analítica, dedutiva, científica e linear. Na Casa IX, o nativo consegue aceder às leis invisíveis do mundo dado que esta casa está ligada ao cérebro direito ou lunar, ou seja, à mente superior, abstrata, intuitiva. Deste modo, o nativo nesta casa, tem capacidade para intuir as verdades e as leis invisíveis que regulam o Universo, ou seja, por intuição, por “flashes”, consegue aceder à compreensão do funcionamento cósmico. Ao aceder a esse conhecimento, o nativo identifica-se com o mesmo pois este ressoa dentro dele e ao ressoar, ele sente-o, e ao senti-lo, dá-lhe um sentido, um significado. Ao dar-lhe um sentido, acredita nesse conhecimento. Ao acreditar nesse conhecimento, o mesmo passa a ser para ele uma verdade incontornável. E ao sentir aquela verdade, irá passá-la aos outros com imensa convicção e energia pois a Casa IX é uma casa de fogo, de expansão. O nativo não precisa que lhe expliquem racionalmente porque é que é aquilo em que acredita, corresponde a uma verdade. Simplesmente intui que é verdade e a partir daí passa a acreditar. O nativo crê sem necessidade de ver e crê porque lhe faz sentido, porque sente. O nativo acredita, pura e simplesmente. O acreditar não carece de fundamentação percecional ou mental. O acreditar apenas carece de identificação emocional, vibracional e de ressoamento. Deste modo, na Casa IX, o nativo poderá intuir e ir mais longe na consciência de quem é, poderá intuir as “Leis” que ordenam o mundo e que lhe dão um sentido e significado. E ao tê-las como referência, o nativo dimensiona-se, transcende-se e conhece-se, e transmitindo-as aos outros, ajuda-os a dimensionaram-se, transcenderem-se e a conhecerem-se também.

É muito por causa da força deste “acreditar”, que se associa o otimismo aos nativos do signo de Sagitário (regente natural da Casa IX). Os sagitarianos acreditam que as coisas vão funcionar, que tudo irá correr pelo melhor e isso é assim porque eles nasceram com a capacidade de acreditar.

Portanto, a Casa IX é uma casa de fé, de crenças e ideais e uma casa onde o nativo irá experienciar as questões ligadas à religiosidade e filosofia. É a casa do sábio, do mestre e do guru.

A Casa IX é também conhecida como a "Casa da Filosofia" e também como a "Casa de Deus".

 

Casa IX – Ética

Júpiter, planeta que rege a Casa IX está localizado no Sistema Solar depois de Marte (último dos planetas pessoais). Por esse motivo, Júpiter é considerado o primeiro planeta social dado que está para além dos planetas que servem o ego, a personalidade (Sol, Lua, Mercúrio, Vénus e Marte). Deste modo, a Casa IX está também relacionada com os princípios que regem a sociedade. Nesse sentido, A Casa IX é a casa dos valores, do direito, das leis, dos tribunais, da ética, da moral, da opinião pública, do certo e do errado, etc..

 

Casa IX – Viagens de Longa Distância e o Estrangeiro

O objetivo da Casa IX é o do centauro que aponta a seta para ir mais além, para se expandir. Como já referido, esse objetivo pode ser conseguido através da aprendizagem de conhecimentos, da religiosidade, da ética, da moral, entre outras vias. Ora, obviamente, que o contato com outras culturas, povos, países, mentalidades permite também a ampliação dos conhecimentos. Deste modo, as viagens de longa distância, os outros países, as outras línguas, as outras culturas são fonte de aprendizagem e de expansão consciencial. Enquanto a Casa III rege o ambiente próximo e aquilo que é descoberto explorando-se tudo o que fica à mão, a Casa IX descreve a perspetiva que ganhamos quando nos afastamos e olhamos a vida de uma certa distância.

Deste modo, a Casa IX está associada às viagens de longa distância e ao estrangeiro.

Por vezes, os nativos com a Casa IX muito ativada não sentem muita apetência para viajar para longe e este fato pode parecer contradizer o que foi atrás referido. No entanto, estes nativos podem já estar num estádio evolutivo desenvolvido e já não sentirem necessidade de realizarem longas jornadas para ampliarem a sua consciência. Deste modo, preferirão realizar viagens internas, dentro de si, através de meditação e reflexão e por vezes, nessas viagens, encontram verdadeiros tesouros e adquirirem ampliações de consciência elevadíssimas.

Inserem-se na tónica da casa IX, não apenas as viagens físicas, como também as viagens mentais (idealistas, meditativas e transcendentais).

 

Casa IX – Parentes

A Casa IX está relacionada com os sogros, netos (netos = filhos dos filhos, sendo a Casa IX, a Casa V da Casa V) e cunhados (cunhados = irmãos do cônjuge, sendo a Casa IX, a Casa III da Casa VII).

 

Casa IX – A Casa Seguinte à Casa VIII

A Casa VIII com sabemos está relacionada com as mortes e transformações psíquicas. Quando o nativo vive esta casa na sua plenitude, ou seja, quando morre e se liberta dos seus medos, desejos e instintos, fica livre para fluir e viver a CASA IX, fica livre para se redimensionar e transcender-se. De facto, já adquiriu uma visão mais ampla de quem é e de como se deve interagir com o outro. Já se encontra em condições para refletir e tirar conclusões sobre o propósito da sua passagem terrena. É sabido, que após uma infelicidade ou drama de Casa VIII (divórcio, falência, perda de um ente querido, etc.), é frequente, como terapia, utilizar-se a Casa IX, para fazer uma viagem, tirar um outro curso, etc., pois esta casa incita-nos a procurarmos um novo sentido para a vida.

 

Significado da Saturno na Casa IX

Onde está Saturno, é onde, numa primeira fase da vida, vamos ter medos, limitações, inadequações e onde vamos ter de enfrentar desafios e vencer obstáculos, sobretudo se este planeta estiver mal aspetado e/ou retrógrado. Numa fase mais avançada da vida do nativo, se este for capaz de enfrentar e de se libertar dos seus medos, vai experimentar a melhor versão do Saturno na Casa IX, dado que vai se tornar numa pessoa séria, responsável, e sobretudo estruturada, nos assuntos desta casa.

A Casa IX é uma casa de expansão e o Saturno é um planeta que nada tem a ver com a expansão. De facto, este astro, numa primeira fase da vida, reprime, constrange, limita, adia, quer que tudo fique na mesma. Deste modo, se o Saturno natal se encontrar posicionado na Casa IX, e se cumulativamente, estiver mal aspetado e/ou retrógrado, haverá, numa primeira fase da vida, uma resistência mental do nativo para expandir a sua consciência individual, para buscar o seu sentido de vida, para encontrar o seu “eu” mais profundo, interior, espiritual e divino.

Haverá também tendência para experimentar algumas dificuldades nos estudos superiores, terminando-os em idade mais madura, ou então na idade normal, mas com grande esforço, neste último caso.

O nativo, em termos religiosos, pode ser absolutamente cético ou então enveredar por doutrinas religiosas mais tradicionais. Obviamente, como nos outros assuntos já referidos da Casa IX, se o nativo vencer as suas limitações e se libertar dos seus preconceitos religiosos, poderá abrir-se e abraçar de forma séria e madura uma determinada religião.

O nativo, terá tendência para ter algumas dificuldades para fazer viagens. No entanto, com o tempo, será capaz de não apenas viajar, mas ainda de planear e estruturar, de forma responsável e madura, as suas viagens.

Com o Saturno, o que no início era fragilidade ou rigidez, uma vez vencidos os medos, pode revelar-se força, maturidade e estrutura.

 

Ruy Figueiredo


quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

ASTROLOGIA. SATURNO NA CASA VIII (PARTE XVI)

HOJE DISCUTIREMOS AS CARACTERÍSTICAS DOS NATIVOS COM SATURNO NATAL LOCALIZADO NA CASA VIII


Significado da Casa VIII

A Casa VIII é uma casa de memórias ligadas ao passado. É a casa do signo de Escorpião. É uma casa da água psíquica, abissal e profunda. Como se trata de uma casa cármica (como as casas IV e XII), nela ficam facilmente armazenadas as memórias dos medos e de inseguranças que trazemos de outras vidas. A casa VIII tradicionalmente é a casa das perdas, mortes psíquicas e também da morte física.

Enquanto a Casa II é uma casa pessoal, de terra e tem a ver com “O Meu”, com os valores próprios, com o signo de Touro e com o planeta Vénus, a Casa VIII é uma casa coletiva (social), de água e tem a ver com “O Teu/O Nosso”, com os valores dos outros, com o Signo de Escorpião e com os planetas Marte e Plutão.

 

Casa II (pessoal) versus Casa VIII (social)

A Casa II é uma casa pessoal logo visa a expansão consciencial do nativo através de si próprio enquanto a Casa VIII é uma casa coletiva pois visa a expansão consciencial do nativo através do outro (dos valores do outro).

 

Casa II (do elemento terra) versus Casa VIII (do elemento água)

A Casa II, por ser uma casa de terra, representa uma área de vida ligada ao mundo concreto e prático. Nesta casa, o nativo vive obcecado com a necessidade de segurança material que por sua vez lhe irá devolver segurança emocional. Deste modo, o nativo quer a todo o custo ter estabilidade, paz e harmonia, não gosta de mudanças, não se deixa transformar (é teimoso) e vive dependente da necessidade de possuir.

Já a Casa VIII, sendo uma casa de água, representa uma área de vida focada nos sentimentos, memórias, emoções e instintos.

Existem três casas de água. A Casa IV é a primeira casa de água e representa as águas do Caranguejo que têm a ver com a nossa herança em termos genéticos, hereditários, psicológicos, educacionais, emocionais e com a nossa maior ou menor capacidade para nos sentirmos alimentados e felizes em função desse “património” herdado. A Casa IV representa então as águas onde nos banhámos, vivemos e fomos nutridos na nossa infância. Nesta casa, o nativo sentir-se-á seguro emocionalmente se tiver sido adequadamente alimentado em termos emocionais.

A Casa VIII é a segunda casa de água e representa as águas abissais, profundas, instintivas, inconscientes, animais, irracionais, obsessivas, primárias, egocêntricas, separatistas, violentas, psíquicas e cármicas do Escorpião. Nesta casa, o nativo sentir-se-á seguro emocionalmente se conseguir satisfazer os seus desejos mais recônditos e profundos e se conseguir satisfazer o seu instinto inconsciente de sobrevivência à vida.

A Casa XII é a terceira casa de água e já tem a ver com as águas do oceano cósmico às quais nos devemos render e entregar. Essa entrega do nosso ser à “VIDA” apenas será conseguida quando naturalmente confiarmos nela e acreditarmos que sempre cuidará de nós e nos levará para onde temos de ir. Só consegue nadar nas águas deste oceano cósmico, aqueles que naturalmente se rendem e se entregam à “VIDA”, submetendo-se à sua vontade. São pessoas para quem as referências biológicas da Casa IV perderam sentido ("Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?" disse Jesus) e para quem os instintos, os medos e as inseguranças da Casa VIII, foram superados.

Como reparamos, enquanto na Casa II, o nativo não se deixa transformar e atrai estabilidade, calma, tranquilidade e harmonia através das coisas que vai obtendo no mundo concreto, na Casa VIII, o nativo é impelido a transformar-se, superando os impulsos incontroláveis que experiencia face às diversas situações de perda que seguramente irá atrair. Nesta casa, o nativo atrai situações de perda porque no fundo deseja mais do que necessita e porque coloca na satisfação dos seus desejos, uma intensa carga instintiva e psicológica, ou seja, deseja as coisas e as pessoas a todo o custo e não pode sequer pensar na hipótese de não as ter ou de as perder. É mais forte do que ele, é visceral, é instintivo, é irracional. Deste modo, vive interiormente agitado, intranquilo. De facto, o nativo explode, sempre que um desejo intenso e inconsciente não é satisfeito. O que a “VIDA” pretende é que esse nativo morra para esse desejo, ou seja, que não fique dele dependente e que perca toda a carga instintiva com que o alimenta. Mais cedo ou mais tarde, após diversas experiências de perda, o nativo terá conseguido transformar-se e a sua intranquilidade desaparecerá pois terá apaziguado as suas águas instintivas e animais que não o deixavam evoluir e que lhe davam instabilidade e intranquilidade.

A proposta desta casa é sermos capazes de perder gradualmente a carga instintiva de sobrevivência que habita dentro de nós e que herdámos e transportámos de outras vidas em resultado dos medos e inseguranças que desenvolvemos como reação a diversas situações que experienciamos e que nos puseram à prova. Nesse sentido, a Casa VIII é a casa das várias mortes psíquicas bem como também, da morte física. As mortes psíquicas permitem a alteração do estado de consciência no que se refere à aceitação da não satisfação do desejo. Não quer dizer que se abdique do desejo. O que é crucial é conseguir desejar sem cargas instintivas. Deste modo, a Casa VIII é uma verdadeira casa de iniciação, renascimento, pois representa a área de vida onde o nativo se pode regenerar, transformar, alquimizar, renascer.

 

Casa II (“O Meu”) versus Casa VIII (“O Teu/ O Nosso")

A Casa II tem a ver com as ferramentas, valores e dotes que trazemos ao mundo e que podem ser desenvolvidos e postos em prática. Nela iremos investir os nossos recursos naturais, os nossos valores (ou seja, os valores próprios) para sermos auto suficientes, termos um sentimento de auto estima, sabermos o que valemos e no fundo, termos segurança emocional com base nas coisas práticas, de valor e de dinheiro que possuímos. É a casa do “Meu” (o meu carro, a minha casa, a minha mulher, os meus filhos, o meu dinheiro, o meu barco, etc.).

A casa VIII, de transformação através do outro, não são os nossos valores que interessam, mas sim os dos outros. Os outros vão constituir o combustível que irá ativar o nosso “caldeirão” interior e que propiciará as transformações necessárias à nossa transcendência. Ligamo-nos aos outros para podermos descobrir uma dimensão de nós próprios que não descobriríamos, sozinhos. Deste modo, a Casa VIII está relacionada com as posses de um relacionamento, com a propriedade comum, com os recursos conjuntos, com as heranças, com o dinheiro do outro, com os negócios, com as sociedades, com os impostos, com os seguros e com as finanças.

 

Casa VIII – os desejos, as dependências, o poder oculto e o sexo

Na Casa VIII, o nativo fica prisioneiro, refém, dependente da satisfação de um desejo qualquer que lhe proporciona um sentimento de segurança, potência e poder. Nesta casa, ele sentir-se-á tranquilo e feliz enquanto continuar a existir e estiver sob o seu controlo, aquilo que deseja e que identificou como objeto da sua segurança emocional. O problema e a instabilidade surgem quando acontece algo que vem ameaçar a continuidade da satisfação desse desejo. Quando tal acontece, o nativo transforma-se num “animal” no sentido que do seu interior profundo, emergem, acordam e são ativados os seus instintos. O instinto é a força que emerge dentro de cada um de nós, de forma inconsciente, sempre que lutamos para sobreviver. Quando o desejo não é satisfeito, os instintos vêm ao de cima e coisas desagradáveis e impensáveis podem acontecer. É o drama do Escorpião, daí a baixa conotação das pessoas deste signo, muito embora, no geral, seja injusta, dado o indivíduo de Escorpião ser, uma pessoa perfeitamente controlada e pacífica (mas por favor não façam com que ele se sinta magoado, pois aí, toda a sua força instintiva emergirá e tudo poderá acontecer). Como se constata, na Casa VIII, a pessoa está presa, refém e dependente do seu instinto que é acordado quando algo se coloca entre ela e o seu desejo. Deste modo, a Casa VIII é a casa da paixão, do poder psíquico, da bruxaria, do ocultismo, dos rituais, das iniciações, da medicina, da cura e também do sexo que representa um dos instintos mais básicos de sobrevivência (da procriação da espécie).

 

Casa VIII – o trabalho relacional

A casa VII e a casa VIII representam as áreas onde os relacionamentos são trabalhados. Enquanto na Casa VII (ligada ao planeta Vénus e ao signo mental da Balança), o trabalho baseia-se no processo mental de espelho (identificação e desidentificação), na Casa VIII (ligadas aos planetas Marte e Plutão e ao signo do Escorpião), o trabalho não é mental, mas psicológico e emocional dado lidar com instintos e desejos.

Na Casa VII os outros são o motor da nossa transformação, mas apenas no tocante à compreensão de quem é o outro, de quem somos e do que é uma relação. Ou seja, na Casa VII, atraímos alguém com que nos identificamos e esse alguém será o motor da na nossa expansão consciencial porque começamos a aprender, através dele, quem somos. Deste modo, se formos ciumentos, mas não soubermos que o somos, é provável que atraiamos um parceiro ciumento com o qual e através do qual, naturalmente, começamos a perceber que afinal também temos essa postura. Assim, ampliamos a nossa a consciência e dizemos para nós próprios: “Foi preciso andar com esta pessoa para ver nela aquilo que em mim não reconhecia. Consegui finalmente perceber que também sou uma pessoa ciumenta”. No entanto, o fato de se perceber “intelectualmente” que se é ciumento, não vai curar esse problema pois é necessário ir mais fundo e perceber porque é se esse problema existe. Uma das formas da pessoa ir ao fundo é sem dúvida, passar pelos dramas da casa VIII, porque nesta casa, a paixão e a entrega são profundas e quando há o corte, a resposta é dada pelo instinto, e por favor saiam da frente porque as atitudes são imprevisíveis.

Se a Casa VIII pressupõe entrega, fusão, quando as expetativas que temos sobre os outros são goradas (por exemplo, quando somos traídos, abandonados), sentimos que o mundo caiu, desabou. Se a fusão na Casa VIII fosse apenas mental como na casa VII, haveria tristeza, mas sem transformação. A fusão experienciada na Casa VIII faz emergir o pior que há em nós (vingança, raiva, ódio, medo, etc.) quando o nosso desejo deixa de ser satisfeito ou perdermos o controlo sobre o outro. De facto, só quando estamos fundidos, é que o corte e a separação são dolorosos. Só nestes casos é que é acordado o escorpião, o animal que existe em nós. Então sentimos uma perda, e se persistirmos a desejar visceralmente as coisas, voltaremos mais tarde a ter novamente outra perda, até que um dia, conseguiremos exorcizar os nossos instintos baseados no medo e na sobrevivência animal. Aceitamos perder e então renascemos, pois deixámos de ser instintivos.

 

Significado da Saturno na Casa VIII

Nós aprendemos, consciencializamos e crescemos através da forma como lidamos com as crises que vamos experimentando durante a vida. Se lidamos com as crises com resistência, ou seja, se dizemos “não” às experiências, então não nos estruturamos e ficamos cristalizados. Pelo contrário, se aceitamos viver as experiências, então com o tempo iremos adquirir uma estrutura e seremos sábios nas áreas onde nascemos fracos, receosos, dependentes, cautelosos e inseguros. Ora Saturno, numa primeira fase de vida é, de forma inconsciente, sempre cauteloso, receoso, e fechado, não se abrindo às experiências. Deste modo, quando posicionado na Casa VIII – (da alquimização e da transformação do ser, através do confronto e fusão com o outro), numa primeira fase de vida do nativo, vai haver resistência às transformações, às mudanças. Ou seja, estes nativos irão relacionar-se com o outro, sem se quererem alterar. Entram na relação por segurança e prazer, mas não passam disso. Os efeitos do Saturno localizado na Casa VIII, dependerão do nível evolutivo do nativo.

O nativo encontra-se num nível básico de evolução.

Neste caso, irá experienciar o Saturno no “primeiro nível da casa VIII – nível financeiro”. Nesta situação é bem provável que se case ou se junte a alguém com posses e dinheiro para poder usufruir da devida segurança material e emocional. O Saturno vai fazer com que o nativo permaneça nesta situação porque lhe incutirá o medo de abandonar a relação. Mas, enquanto o nativo viver esta situação, será difícil o seu crescimento, antes ficará diminuído, reduzido, face à sua dependência financeira. No entanto, o nativo poderá ser chamado a crescer “à força”, bastando para tal, que o seu parceiro(a) morra ou que se separem. Nestas situações, o nativo vai ter de começar a comandar o seu barco financeiro, pois perdeu o suporte do seu companheiro(a). Deste modo, o seu valor próprio virá ao de cima, pois, mais cedo ou mais tarde, terá de conseguir resolver os problemas financeiros, através de si próprio, utilizando os seus dotes, ferramentas e conhecimentos.

O nativo encontra-se num nível médio de evolução.

Neste caso, irá experienciar o Saturno no “segundo nível da casa VIII – o teatro psíquico”. Nesta situação, atrairá parceiros, perdas e conflitos intensíssimos. Será uma pessoa possessiva, com forte dependência psíquica, e não emocionalmente livre. Agirá por instinto, por compulsão irracional e inconsciente. Será infeliz. Neste nível, o Saturno, fará perdurar as guerras psíquicas, pois não deixará o nativo se transformar tão cedo. Ou seja, será difícil para o nativo, na fase de evolução em que se encontra, conseguir perder o seu “gás psíquico”.

O nativo encontra-se num nível elevado de evolução.

Neste caso, as perdas e os conflitos serão dolorosos e por força de tanta tristeza e desalento, o nativo acabará, mais cedo ou mais tarde, de abdicar, de forma consciente, do seu fogo irracional interno. Decide “largar mão” do seu desejo instintivo, ou seja, decide desejar, mas sem instintos. Como já conscientizou os medos que possuía quando confrontava o outro, “passou uma esponja” sobre os dramas psíquicos de que era ator. Transformou-se, evoluiu e transcendeu-se. Obviamente que o Saturno, numa primeira fase da vida do nativo, irá sempre obstaculizar o fluir de todas as transformações sugeridas pela Casa VIII.

O medo do confronto com o outro, pode afetar a intimidade, o campo sexual. E neste caso, enquanto o Saturno não estiver resolvido ou amadurecido, uma das duas atitudes seguintes, podem ser tomadas, pelo nativo:

a)        O nativo prescinde de ter sexo, e não se liga com ninguém, e não se transforma.

b)       O nativo tem sexo, não se liga ao outro emocionalmente, e não se transforma

Como se constata são duas formas de defesa possíveis, engendradas pelos medos inconscientes do Saturno.


Ruy Figueiredo

 


segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

ASTROLOGIA. SATURNO NA CASA VII (PARTE XV)

HOJE ABORDAREMOS AS CARACTERÍSTICAS DOS NATIVOS COM SATURNO LOCALIZADO NA CASA VII 

Significado da Casa VII

A Casa VII é a primeira casa do Hemisfério Sul (Diurno ou Superior) que integra as casas coletivas ou sociais VII a XII. Enquanto as casas pessoais do Hemisfério Norte (Noturno ou Inferior) visam a expansão da consciência individual, as do Hemisfério Diurno, visam a expansão da consciência social. A Casa VII é, portanto, a primeira das casas coletivas ou sociais.

A objetividade e a vida exterior são mais importantes nas casas coletivas, enquanto, nas ditas pessoais, são mais acentuadas a subjetividade e a vida interior. Nas casas coletivas o indivíduo age em função do outro enquanto, nas casas pessoais, age em função de si próprio.

A cúspide da Casa VII (grau e signo que abre a Casa VII) é chamada de Descendente. Trata-se de uma singularidade do mapa muito importante e que é oposta ao Ascendente (cúspide da Casa I). O Ascendente é o ponto de consciência de cada um enquanto o Descendente representará o ponto de consciência do outro. O Ascendente será o ponto mais nascente, mais oriental, mais brilhante, mais luminoso e mais consciente do nativo enquanto o Descendente será o ponto mais ocidental, mais sombrio e mais inconsciente, precisando do outro para ser iluminado.

Enquanto na Casa I expandimos a nossa consciência através das iniciativas que tomamos, na Casa VII, ampliamos a nossa consciência através dos relacionamentos com os outros, e isto porque os relacionamentos funcionam como espelhos através do mecanismo da projeção.

Dinâmica da Projeção

Segundo Freud, a projeção é um mecanismo de defesa psicológico que faz com que determinada pessoa projete os seus próprios pensamentos, motivações, desejos e sentimentos indesejáveis numa ou mais pessoas. A projeção deste modo, faz com que as pessoas observem nos outros, as suas próprias caraterísticas reprimidas ou que não conseguem expressar conscientemente.

A pessoa sente-se inconscientemente atraída por alguém que apresente ou exprima naturalmente as suas caraterísticas pessoais reprimidas e rejeitadas.

Ao vivenciar a experiência relacional, a pessoa que projeta vai poder viver e até consciencializar-se das caraterísticas pessoais que não consegue exprimir. Deste modo, vai verificar-se uma expansão consciencial através do outro. É através do convívio com o outro que a pessoa vai aprender mais sobre si próprio. Ora a Casa VII é o palco onde o teatro relacional decorre. Muitas vezes o primeiro passo para começarmos a saber o que de fato queremos é saber o que de fato não queremos. Ora, para isso, temos muitas vezes que experienciar coisas que à partida, gostamos, mas que depois verificamos não serem bem aquilo que desejávamos. Ganhamos consciência através dos relacionamentos. Deste modo, os nossos piores companheiros(as) relacionais podem bem ter sido, os nossos melhores mestres, no sentido de que, através deles (delas) pudemos ganhar um pouco mais de consciência de quem realmente somos e do que realmente queremos.

 A Casa VII, como constatamos, é o grande palco de todo o tipo de relacionamentos, a saber:

a)        Relacionamentos Afetivos

É a casa que reflete os relacionamentos sérios, que indica como nos relacionamos, o tipo de pessoas que atraímos, o que projetamos no outro e as características e "defeitos" do outro que não conseguimos enxergar em nós mesmos.

b)       Relacionamentos Matrimoniais

É a casa onde está representado o primeiro casamento, o segundo filho, o cônjuge e a tendência para o divórcio.

c)         Relacionamentos Societários

A Casa VII também reflete os agrupamentos societários empresariais, acordos, litígios, alianças, uniões e conflitos.

d)        Relacionamentos Associativos

A Casa VII também é o palco para os relacionamentos associativos.

e)        Relacionamentos de Amizade

Os amigos próximos, os inimigos declarados ou manifestos, as questões judiciais, as quebras de contrato por posicionamentos divergentes.

Os planetas localizados na Casa VII, por sua vez, também fornecem indicações sobre a qualidade das relações, ou seja, nomeadamente sobre:

a)        As caraterísticas da relação

Por exemplo, Saturno na Casa VII pode indiciar que o nativo tem propensão para os relacionamentos baseados no dever e na obrigação, enquanto Marte revelará a tendência do nativo para batalhas relacionais tempestuosas, para se apaixonar à primeira vista ou para se casar rapidamente.

b)       Os parceiros que atraímos

Enquanto a pessoa não tiver consciência do tipo de perfil de namorado(a) com quem deseja se relacionar, só atrairá alguém que seja a expressão pura negativa do(s) planeta(s) que se encontram localizado(s) na sua Casa VII. Deste modo, o outro vem fazer emergir a quem tem planetas na Casa VII, aspetos da personalidade do nativo que ele próprio desconhece. Por exemplo, uma mulher com Marte na casa VII terá propensão para numa primeira fase, sentir-se atraída por um homem assertivo, dominante e centrado em si mesmo que lhe dará ordens, gritando. Assim irá gradualmente incorporar o seu Marte. Quando já não conseguir tolerar esta situação, muito provavelmente, dará conta de que também tem direito a fazer exigências e terá enfim descoberto o seu Marte que existia velado em si própria.

A Casa VII é por excelência, a casa da projeção e é onde eu vou projetar o padrão Saturno Vénus duma forma mais inconsciente. Eu sinto sempre com Saturno na Casa VII que os aspetos exteriores são os grandes responsáveis por parte daquilo que estou a viver porque se o outro não fosse casado estava tudo bem, se o outro não fosse tão egoísta esta relação era perfeita. Não percebo que o outro não é nada mais, nada menos do que o espelho do meu interior. Há motivos químicos que me fizeram atrair aquele tipo de espelho e mais uma vez a “VIDA” está a obrigar-me a remeter-me para mim e aí é que a relação é, por excelência, separação porque de facto, nada de mais concreto nos leva a perceber quem é que nós somos e do que não somos, do que uma relação a dois, porque rapidamente temos que perceber isso para conseguirmos nos relacionar, ou seja, “De que é que eu gosto e de que é que o outro gosta? O que é que eu posso dar e o que é que o outro não pode dar?” e por aí a fora.

 

Significado de Saturno na Casa VII

Os nativos com Saturno natal na Casa VII, são distantes e frios nos seus relacionamentos. No geral, as suas relações são complicadas porque estes indivíduos, sob pressão, têm tendência a serem com o parceiro, exigentes, inibidos, negativos, críticos e quezilentos. Podem atrair parceiros castradores ou então parceiros mais velhos e maduros. Podem também contraírem matrimónio bastante tarde na vida, dado que haverá a tendência para serem inseguros no relacionamento, considerarem que o casamento é coisa séria e acreditarem que nunca encontrarão alguém perfeito o suficiente para se casarem. No geral, estes nativos, não têm muitos relacionamentos amorosos sérios ao longo da vida. No entanto, se encontrarem o parceiro ideal, é bem provável que o relacionamento seja duradouro.

Até atingirem a experiência e consciência necessárias, os relacionamentos podem não fluir da maneira desejada e resultar em desilusão. Usualmente, acabam os relacionamentos e colocam a culpa no parceiro, que na sua opinião, não era o ideal ou lhes impunha demasiadas restrições e limitações. Deste modo, é usual, terem muitas deceções e frustrações nos seus relacionamentos de amizade, amorosos ou profissionais.

De facto, é exatamente na área relacional onde vão ser desafiados a crescer. Gradualmente, irão perceber que afinal, é dentro de si mesmos que reside a razão dos seus problemas relacionais.

Saturno natal na Casa VII produz no nativo, efeitos semelhantes aos produzidos por este planeta quando aspetado à Vénus natal. De facto, quem nasce com Saturno aspetado à Vénus, resolveu trabalhar nesta vida, os afetos e os relacionamentos, ou seja, resolveu, nesta encarnação, acumular experiência na área dos relacionamentos, e desta forma, ganhar sabedoria e consciência sobre o que é o amor e uma relação. Os nativos que nascem com Saturno aspetado à Vénus, numa primeira fase de vida, defendem-se do amor e dos relacionamentos, dado que terão medo de amar. Gradualmente, e à medida que mergulham ao fundo das suas inseguranças, medos e padrões inconscientes que modelam o seu padrão de comportamento relacional, vão resolvendo este medo. De facto, enquanto o padrão não for consciencializado, os relacionamentos irão estar sempre associados a dificuldade, frustração, infelicidade e desgosto. Com Saturno na Casa VII, os medos e o processo de consciencialização serão idênticos.

Saturno na Casa VII, mal ou bem aspetado

Se o Saturno estiver localizado na Casa VII e simultaneamente afligido ou mal aspetado, haverá tendência para haver dissabores no casamento e/ou nas sociedades profissionais. Se estiver bem aspetado, então o casamento será estável e duradouro assim como haverá harmonia entre os sócios das empresas que eventualmente forem criadas pelo nativo.

Ruy Figueiredo

 


terça-feira, 8 de dezembro de 2020

ASTROLOGIA. SATURNO NA CASA VI (PARTE XIV)

 

HOJE ABORDAREMOS AS CARACTERISTICAS DOS 

NATIVOS COM SATURNO NATAL LOCALIZADO NA 

CASA VI


Significado da Casa VI

A Casa VI é regida por Mercúrio e Virgem é o seu signo natural. Trata-se de uma casa de terra. As casas de terra têm a ver com o trabalho, serviço e realização. Enquanto a Casa II (Touro) tem a ver com as ferramentas, valores e dotes que trazemos ao mundo e que podem ser desenvolvidos e postos em prática (o que é que eu valho?), a Casa VI tem a ver com o trabalho concreto que se pode produzir (o que é que eu faço?) e a Casa X representa a área onde podemos atingir a máxima realização social e profissional (qual o meu poder?).

A Casa VI é a última casa do Hemisfério Norte também conhecido por Noturno ou Inferior e que engloba as casas pessoais (I, II, III, IV, V e VI). Nestas casas o nativo age em função de si mesmo, ou seja, ainda não “enxerga” o outro, pois o propósito destas casas é somente a obtenção da consciência individual.

A Casa VI está entre a Casa V (Leão, ego, criatividade) e a Casa VII (Balança, o outro, os relacionamentos), ou seja, está entre a casa da máxima individualidade e a casa do início da consciência da importância do outro. Ora para começarmos a dar importância ao outro, temos de aperfeiçoar a nossa personalidade e aprender que não somos nós que somos importantes (Leão) mas sim aquilo que fazemos e realizamos para os outros (tarefa, trabalho, serviço). O serviço é maior do que nós próprios.

Deste modo, a Casa VI consubstancia uma espécie de humilhação e purificação e daí estar associado ao signo de Virgem (Virgem Maria). De facto, é preciso purificar o ego, dissolvê-lo (humilhação) para que o nativo possa estar à altura da Casa VII (o outro). Mas entenda-se “dissolução do ego” na perspetiva do seu aperfeiçoamento e não do seu aniquilamento. A pessoa pode continuar a ter a sua identidade e individualidade, mas tem de compreender que não é ela a mais importante, mas sim o seu contributo para os outros. Portanto deveremos entender “purificação” mais no sentido do aperfeiçoamento da consciência individual.

A Casa VI é a casa da organização, técnicas, práticas, procedimentos e métodos de trabalho e também dos bons hábitos de vida, higiene, nutrição, saúde, doenças, aperfeiçoamento pessoal, deveres, responsabilidades, rotina diária e animais de estimação.

A rotina diária prende-se com diversos assuntos tais como o trabalho, as refeições, o padrão de sono, o cumprimento de horários, a higiene pessoal.


Significado de Saturno na Casa VI

Os nativos com Saturno natal localizado na Casa VI, são no geral, muito responsáveis, gostam de trabalhar e levam a sua profissão muito a sério. São pontuais, confiáveis, competentes, e possuem uma elevada capacidade para organizar, gerir, administrar.


Sendo Saturno um planeta maléfico e a Casa VI, a casa das doenças, poderia pensar-se que os nativos com este posicionamento estariam condenados a padecerem de todo o tipo de doenças. De facto, não é totalmente assim, porque as doenças que poderão emergir, se emergirem, estarão relacionadas com o Saturno (esqueleto, ossos, coluna, dentes, joelhos, pele), com o excesso de trabalho (stress) ou com uma rotina não saudável (descuidos, neglicências ou excessos alimentares, falta de exercício físico.

Saturno na Casa 6 mal aspetado

Se o Saturno estiver localizado na Casa VI e simultaneamente afligido ou mal aspetado, haverá tendência para que o nativo possa vir a sentir algum desconforto, desenquadramento ou tensão na sua área do trabalho. É até provável, que mude de emprego ou mesmo de profissão frequentemente e que sinta algum receio de não ser aceite ou de ser considerado incompetente pelos colegas e chefes. Também é frequente, estes nativos serem viciados em trabalho.

 

O Saturno afligido na Casa pode também originar aos nativos problemas de hipocondria (medo das doenças) ou ortorexia (obsessão por ingerir apenas alimentos considerados "bons" e saudáveis).

 Ruy Figueiredo


sábado, 7 de novembro de 2020

ASTROLOGIA. SATURNO NA CASA V (PARTE XIII)

Hoje iremos abordar as características dos nativos que nasceram com o Saturno na Casa V

Significado da Casa V

A Casa V é a segunda casa de identidade (a Casa I é a primeira) e tem a ver com o Sol e com o signo de Leão. É uma casa de fogo, logo de energia, ação e expansão.

Esta casa representa a área de vida humana relacionada com a auto expressão, identidade, talentos, criatividade, lazer, férias, divertimentos, vida noturna, filhos, romance, "flirt", sexualidade, desporto, atores, artistas, cinema, teatro, jogos, casinos, apostas. Ou seja, a Casa V é onde o nativo pode criar, auto expressar-se, jogar, arriscar, divertir-se, dançar, amar, enfim, fazer tudo o que lhe apetece para ser livre e feliz. Há um certo paralelismo entre o significado da Casa V e a carta XIX do Tarot (O SOL). Esta carta é representada pela criança nua e feliz que cavalga em cima de um cavalo branco. A criança representa o nosso sol interior, a nossa criança interna e a sua nudez traduz a pureza e o renascimento que se conquistam quando iluminamos (compreendemos) os medos, bloqueios e memórias que obstaculizam a nossa criatividade, felicidade e liberdade. Portanto, quando se atinge a liberdade interior, somos felizes, gostamos de “cá” estar, gostamos de viver, criar, brincar, dançar, rir, correr, amar e arriscar (sem medo). A Casa V apela, portanto à criatividade, divertimento e amor. O amor aqui referido não é o amor responsável e consequente da casa VII, mas um amor baseado no romance, "flirt", prazer e sexo.

 Significado do Saturno natal na Casa V

Saturno natal na Casa V pede ao nativo que desenvolva uma estrutura consciente de identidade, ou seja, obriga-o progressivamente a ganhar consciência de quem é que é como ser único e individual, e a enfrentar, nesta vida, com base nessa identidade estruturada e responsável, o medo de não ser aceite, de ficar sozinho, de que não gostem ou de que não o amem. Sendo assim, com o Saturno na Casa V, numa primeira fase de vida, o nativo  sentirá que a sua “criança brincalhona” é rejeitada pelos outros. Isto resulta do fato de em criança, só ter-se sentido amado e aceite quando conseguia viver em função do que os seus pais desejavam que ele fosse, e não em função do que ele era de facto. Sendo assim, só gradualmente é que arriscava se revelar quem era, sendo que no entretanto foi escondendo a sua própria individualidade para agir de acordo com a expectativa e desejos dos pais. A sua personalidade foi então bloqueada pelo medo e insegurança. Este nativo terá de aprender a libertar a sua criatividade e a permitir que a criança brincalhona e espontânea apareça. E isto, o nativo conseguirá fazer gradualmente ao longo do tempo, ou seja, pouco a pouco, começará a sentir uma maior auto estima, e deste modo, começará a expressar a sua verdadeira individualidade e criatividade pessoais.

 Identidade e Individualidade

Os nativos com Saturno Natal localizado na Casa V, no geral, têm medo de se assumir, de serem eles próprios, e quase sempre, tentam ser aquilo que devem ser em vez de serem aquilo que, de facto, são. A expressão natural da personalidade e da identidade é saturnina estando sempre à defesa.

 Espontaneidade, Autoexpressão e Humor

Saturno natal localizado na Casa V pode comprometer a expressividade do nativo dado que este reprime um pouco mais os seus sentimentos e ações e se contem mais perante os outros. Tal comportamento pode ter relação com a sua infância, já que a criança pode ter sido submetida a regras comportamentais muito rígidas. Por isso, a pessoa, desde muito cedo, começou a ter medo de se expor e acabou se preocupando demais com a opinião dos outros, reprimindo e limitando a sua criança interior e passando a se comportar como um adulto antes do tempo. O humor do nativo também pode ficar comprometido e, deste modo, poderá ser difícil para o mesmo, experienciar ou manter a alegria.

 

Criatividade

Saturno na Casa V pode bloquear a criatividade do nativo. A dificuldade em deixar fluir a criatividade pode fazer com que não desenvolva os seus reais talentos. No entanto, poderá facilitar a concentração nos estudos.

 

Paternalidade

A Casa V é a casa dos filhos. Os nativos com o Saturno natal posicionado nesta casa, no geral, realizam o processo através dos próprios descendentes, tendo medo de os ter, de que os filhos não gostem deles, de que não venham a gostar dos seus filhos ou que estes sejam problemáticos. Podem, também, ter um excesso de preocupação com os filhos (sobretudo com o mais velho). Estes nativos, no geral, são muito controladores com os seus filhos. De facto, querem controlá-los para evitar que sofram, como eles próprios já sofreram, no passado. Deste modo, e de forma não intencional, tentam moldar, formatar os filhos, e consequentemente, estes manifestarão também, alguma dificuldade em serem eles próprios. Os pais com o Saturno Natal na Casa V têm dificuldade em gostar de si próprios e em resolver esta insegurança. A resolução passa por tentarem ir ao fundo deste medo e para tal terão de aprender a gostar de si próprios e a perceber que os filhos são seres independentes. Pessoas com Saturno na Casa V experienciaram uma rejeição da criança que está dentro delas. São pessoas que têm de aprender a soltar a sua criança interior, o que podem fazer através dos filhos, brincando com eles e sendo mais tolerantes. Há medida que vão permitindo que os filhos cresçam como seres individuais, poderão redescobrir a sua própria criança interior. Contudo, no geral, não será essa a tendência de comportamento do pai ou da mãe com Saturno na Casa V. O mais certo, é controlarem e preocuparem-se em demasia com os seus filhos, o que pode ocasionar que estes não consigam desenvolver a sua individualidade.

AMOR

Os nativos com Saturno natal na Casa V têm dificuldade nos relacionamentos dado que   não se deixam envolver, não se entregam. De facto, são inseguros no domínio do coração, dado não terem certeza de si mesmos e terem medo de serem rejeitados.

 

BRINCADEIRAS

Quando Saturno natal está localizado na Casa V, o nativo apresenta um sentido de responsabilidade exagerado o que faz com que tenha dificuldade em ter lazer, divertir-se com os amigos e sair com eles. Isto deve-se ao facto de em criança ter tido sérias dificuldades em brincar com as outras crianças.

 

Ruy Figueiredo